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Engraçado como a vida é.
Nós caímos, suportamos, derrapamos, tomamos tombos gigantes…
…e conseguimos nos levantar.
Tudo poderia ser melhor.
Todos poderiam ser mais felizes.
Tudo poderia dar certo.
Mas o que é incerto…
…ou muito pouco certo…
…é orgulhar-se de não fazer o correto…
…e aquele caminho que antes era reto…
…tortuoso, perigoso, entediante fica…
…mas as lembranças são só e unicamente lembranças…
…por sorte, as lembranças ruins também o são.
O tiquetaquear quebra o silêncio. Cura tudo, uma desilusão…
…um amor, um ódio, um desestímulo…
…pois só o tempo diz pra você…
…o que você realmente, lá no fundo quer…
…só falta sentir, refletir, entender, acreditar e correr atrás.
E talvez, ser feliz.

É engraçado como a gente encontra as coisas.
Quando você acha que está só no mundo, aparece algo de um caminho tão surpreendente que tudo que importa é se apegar.

Quando digo “estar só no mundo” não se refere à solidão propriamente dita, mas sim àquela pessoal, aquele terror (ou orgulho) de conhecer-se e descobrir que, (porra) realmente (que bom! ou não.), somos únicos. Únicos pelo que somos, pelo que vivemos, pelo que pensamos.

Claro que temos nossos gostos e tendências, que vão se modificando cada vez que refletimos e nos tornamos experientes nos nossos sentidos. Só para ter uma idéia, não imaginaria que seria capaz de gostar de Pique Novo, ou quem sabe, Banda Beijo. Gostos e tendências. De certo que um pagodinho melancólico ou uma música agitada pra queimar as gorduras me faziam bem…mas parece que fui diretamente induzido (com o passar dos anos) a gostar de outros estilos. Claro! Jamais desmerecendo a música que um dia gostei. Não é politicamente correto cuspir no prato que já comeu, não acha? Só pra terem uma simples noção, naquela época o som barulhento das guitarras e baterias me irritava tanto que passei a odiar final de festas….refletia: “Se Legião Urbana é tão bom quanto muita gente diz, por que então só tocam suas músicas em finais de festas pra turma realmente ir embora?”.

Até hoje não consegui chegar a um denominador comum sobre essa grande questão, mas com certeza é uma daquelas do melhor estilo: “Por que no casamento a noiva usa branco e o noivo preto?”. Claro que com o passar dos anos e do amadurecimento dessas reflexões, acabamo-nos tornando mais autênticos e usando em nosso casamento, quem sabe, aquela roupa maravilhosa cor de chumbo. Que elegante!! Ahh! E claro que, por melhores e pessoais motivos, Legião Urbana não faz meu tipo…sou um pouco crítico nas questões que envolvem “apreciar música”, até porque meus argumentos provam todos os “porquês” de meu único, pessoal e intrasferível gosto.

Gosto este que não é somente música. Porque a música ultimamente anda em meio a um retrocesso. Fica quase impossível encontrar músicas que realmente são tão diferentes sendo de estilos iguais. E quando digo “não somente música”, está incluído sua informação, suas letras, às vezes poesias, junções de muitos sons e tons que te fazem refletir de uma forma tão…fantastica e magicamente irracionais. (Não, nunca fumei maconha).

Bem, mudei um pouco de foco, mas tentarei fixar melhor a minha idéia…
Nunca fui de ser fã de algum/qualquer cantor(a) ou banda (inclui-se também jogadores, atores, atrizes…toda essa mal cheirosa socialite). Somente ouvia as músicas, e era só. Cheguei a assistir alguns shows (lembro da minha “época bitolada” que vi shows do Belo, Banda Eva, Ivan Lins e outros que nem me recordo direito), mas nenhum desses me fez realmente querer assistir novamente, ou, na mais singela explicação: nenhum me emocionou, ao vivo.

Até que o “nunca diga nunca” finalmente pra mim deixou de ser irreconhecível.
Lembro que ouvir “Começou a faltar a gravidade naquele dia…” me fazia prontamente imaginar eu flutuando. E a partir do momento em que me imaginei flutuando, imaginei a palavra flutuando escrita…e isso me levou a pensar (conotativamente) que flutuar não é somente se desligar de gravidade, e sim estar só, feliz, e desligado do mundo…como sempre gostei de estar. Numa primeira frase, já não me sentia mais sozinho, mesmo estando só e desligado. Sentia que, assim como eu poderia pensar em algo assim, alguém também pensou…mesmo que por outros motivos próprios, de traduções próprias…mas eu disse: “Eu queria poder cantar essa música. Eu queria realmente pensar nela antes de qualquer ser”. E são destes pensamentos que nós consolidamos aquela ponte para algo ou alguma coisa que realmente nos fazem bem…que temos vontade de ser, de ter sido, de poder ter sido.

Engraçado que quando ouvi “Quando Fui Fred Astaire” eu estava “Vendo A Mim Mesmo”. E vendo a mim mesmo…mesmo, eu ali, flutuando (desligado do mundo) ficava sem entender, porque de certa forma, ninguém explicava aquela calamidade, e mesmo que explicasse, eu só me importava em voar, ouvia dizer do porquê daquilo tudo, mas eu estava feliz…dançando (ao meu “jeito vagabundo”) no teto feito Fred Astaire, flutuando, amarrado ali, em meu único (ou já não mais) mundo, sem realmente me perder, sem mesmo à companhia de Ginger Rogers ou, quem sabe, de um mero beija-flor.

É! Me empolguei sim, mas com outras palavras, quis dizer que tudo aquilo me fez realmente descobrir mais um pouquinho do que sou, da vontade que às vezes sinto de ficar só, refletir só, e pensar, pensar, pensar…É, não é a toa que dizem que sou realmente desligado, quando na verdade, se contradizem ao dizer que sou um grande observador.

Enfim. Ouvi “Quando Fui Fred Astaire” ao vivo e me emocionei. Aquela vergonha infame de dizer pra si: “Será que alguém está vendo isso? Será realmente que devo sentir vergonha disso?”…ahhhh! Com certeza será uma posterior reflexão exclusa de imaturidade.

Assim como direi também: “Será que sou fã do cantor?”…e não pelo que ele canta, e sim pelo que o cara é. Às vezes ao conhecê-lo mais profundamente, me vejo…não como cantor, porque tenho uma voz péssima! Blaargh! Mas me vejo em seus textos, em sua música, em sua visão sobre o mundo, sobre as coisas, sobre as pessoas, sobre seu valor (onde percebo que sua humildade está acima de tudo), pois enxergo quando ele diz numa entrevista algo como: “Não achei que realmente cabia neste show”, ou quando faz um clipe de uma forma tão simples juntando todo seu conhecimento num trabalho laborioso para que fique realmente impecável, para que combine do jeito que “criativamente” o quer e no final ainda diz: “Poderia ficar melhor. Ou: está uma merda”. Graças a Deus que tem pessoas assim como eu, e os mundiças para realmente ter uma noção do próprio trabalho, ou quem sabe, da própria pessoa…porque às vezes, nos cobramos tanto que nos desmerecemos ao invés de sermos só humildes.
Da mesma forma que ele canta pro mundo ouvir o que ele acha importante, eu escrevo para que (sem pretensão nenhuma de ser o mundo todo, só olhar que escasso de comentários tem nisso) as pessoas possam saber o que é e o que tirei de tão importante das minhas reflexões.

Enfim, para concluir, digo que esse formidável mundo cão existe…mas como é difícil encontrar pessoas formidáveis no meio de tantos cães…ao menos, não vivo mais só com meus devaneios…devaneios estes difíceis pra macaco sabido conseguir realmente compreender.

Ao som de Jay Vaquer – Quando Fui Fred Astaire