O interlocutor contar-vos-á uma historinha sobre amor.
Hoje fui comprar um carro.
Resolvi fazer isso, porque não tenho o que fazer…
…talvez isso mate o meu tédio por algum tempo…ou o meu desejo realizado de comprar um carro do ano…mas talvez eu esteja me iludindo.
Quando cheguei…eu vi que não queria um carro.
Vi que não era um carro que me faria pleno. Feliz.
Eu poderia ter o dinheiro pra comprar qualquer carro! Mas não me faria feliz!
Mas também vi que deveria estar ali naquele lugar…que deveria passar por ali…
…e, por incrível que pareça, dei de cara com tudo que me pareceu pleno…
…dei de cara com a futura, fantasiosa e imaginária felicidade!
Divaguei por horas e horas em um simples segundo e….amei-a à primeira vista.
Meu Deus! Quanto tempo não sentia isso! Meu coração palpitava…eu sentia vergonha, receio, anseio, vontade, desejo, salivava, suava, me sentia mal, me sentia bem, imaginava e ficava feliz, triste, irritado, esperançoso, tímido, com medo, sem vergonha, maluco, neurótico e logo depois calmo…
…isso tudo em questão de segundos!
Não queria parar de vê-la, mas também não queria olhá-la.
Como o ser humano é complicado!
Eu sei que, no fim…naquele liquidificador de sentimentos que me dava inúmeras escolhas – como se tivesse (ironicamente) numa concessionária escolhendo um carro – as sensações maiores foram a vergonha e o medo.
Medo de dizer que nenhum daqueles carros me faria feliz como aquela moça poderia.
Vergonha de simplesmente dizer um oi, ou dar um elogio à altura.
E nisso, passa-se um filme em minha mente – ao melhor estilo “Lista de Schindler” – demorado, sofrido…
…e acabo me jogando de (na?) cabeça na 7ª-dark-arte, essa arte melancólica, destrutiva, inerte, “mais-ou-menos”, feia e triste.
Poderia ter dito algo legal. Poderia ter ao menos tentado dizer algo legal. Poderia ter conversado, conhecido, brincado, encantado. Sim! Poderia…eu posso! Eu sei o que sou, como sou e como fazer…então, porque escolho não fazer?
Talvez porque no fundo…todos nós humanos esquecemos que já somos felizes. Que já temos tudo que queremos…que aspiramos as coisas, os outros, as mulheres, os carros novos e isso tudo não modifica a tenra felicidade que já nos acomete.
Eu amei por um segundo.
E em um segundo, desisti de amar.
Minha sorte é saber que segundos não existem…e que estou preso no que eu imagino, não fazendo o que realmente quero.
Mas Deus é bom e sempre nos dará uma segunda chance de nos apaixonarmos por um segundo…
…1 segundo apenas, escasso, mas pleno e eterno.
Ai, o amor!

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