Anos e anos de penitência amorosa fizera deste deplorável ser um errante bebum das comunidades virtuais.
O Eremita Bebum Ft, que vagava às margens dos rios José Cuervo e Johnny Walker por muitas madrugadas, procurava encontrar o peixe-vampiro-ébrio que o mordera nas jugulares e morrera, – devido à infecção cardíaca e angiológica provocada por uma jovem desprovida de sapiência – para desculpar-se do ocorrido, ou dá-lhe novamente a chance de alimentar-se. Também procurava veementemente mais um bar, ao qual despojasse sua fraqueza e destilasse seu castigado passado amoroso. Caminhara por muitos megabytes. Chegara a pensar que poderia concorrer à São Silvestre orkutiana, mas logo após deixara de lado esta inquieta e sombria idéia.
Depois de quase um giga, encontrara um local apropriado para afogar sua amargura.
O local era de uma tremenda elegância: paredes enfeitadas com sonetos de fregueses assíduos – talvez alguns cianóticos que também tiveram seus corações arrancados, e que dali, nada pulsava -; bebidas das mais exóticas, uma delas chamada “Insight”, que era uma mistura de criatividade com senso, e também uma vitrola que tocava canções tão apuradas que a amargura do errante-dos-rios estagnara. Até que algo mágico acontecera.
O Eremita Errante Solitário Ft encontrara, finalmente, o seu bar.
Pronunciava suas amarguras com tamanha autoridade, que ao invés de ser reprimido, passara a ser querido. Não entendia de onde vinham tais louvores, mas isso o estimulou de uma forma tão inefável que sentira-se em casa, a cada segundo, a cada minuto, a cada momento, tornara-se um feliz alheio, já que não era de costume se amar.
Desde então, tal ser deplorável sentiu-se velado de quaisquer punhais envenenados de angústias sentimentais. Nada mais o atingira. Nada mais o faria mais contente, do que estar ali, naquele bar, exagerado de sensitividade e cultura.
No fim, dera-se o jus valor e prometera:
– Aqui viverei. Aqui respirarei deste oxigênio, e aqui ficarei.
Talvez até quando uma eventual princesa-carrasca o aprisionar, ou até quando a plebéia afetiva e benevolente fazê-lo suspirar até o terno e ditoso final feliz, nunca se esquecendo que aqui sempre fora o meio, o desenvolvimento, o essencial, o prazeroso…divinal caminho, ao qual lembrar-se-á como o acalanto de su’alma.

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