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Balde afrodisíaco, são
Tamanho era o mundo
Transbordado de admiração
Excesso
Eu, possesso

Minha íris, transformada em oceano
De marolas metafóricas
Ideias sensuais; eufóricas!
Reais
Salgadas ou não
Essência escarlate de mim!

De sombracelhas fatigadas
Vi-me delirioso!
Noutro Universo
De versos deliciosos
Sobras de gemidos; pedintes
Saudosos

Palavras
Amarras d’alma
Saboreadas por encanto
De mulher-menina

Era tanto
Era flor
Era fina
Não metade, não meia
Em meu imo
Amei-a

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Pergunta-se por aí: alguém pra me dar uma função?
E por que ninguém responde?
Respostas, respostas.
Às vezes a dúvida é degustante.
É como confessar ao cãozinho, posto que, é você que late.
E à confissão, não morde.
Mas também não pula, não circula no próprio rabo, sequer procura por osso.
Existe-se, consegue captar?
Funcionemos!
Atabalhoadamente, racionalmente, intuitivamente, severamente ou pela inércia.
Este último, só virando a traseira pro céu, esperando um banho de lume da lua. E que seja sempre cheia!
Talvez nossa função é não ter função.
É circular no próprio rabo.
É pular no amor, lambê-lo e roçá-lo.
É esquecer-se de fazer, fazendo; mesmo que encha pouco o bolso.
É simplesmente ser.
Respostas? Não haverá.
Talvez as encontre no meio do caminho antes que tropece na pedra.
E quando isso acontecer, provavelmente estará na encruzilhada.
Afinal, cada resposta traz mais algumas perguntinhas.
Portanto, pergunto: pra quê ter função?
Se toda vida é vida de cão?

Como se fosse um cão.
Procurava aos portões latir
morder os ossos de plástico
e ‘desossar’ meu próprio tédio

Como se fosse um baralho.
Condensava-me, era truque e cartada
felicidade e orgulho de uns
tristeza e decepção d’outrem.

Como se fosse uma porta.
Abria-me sem sons no início
fechava-me com carinho
até que com o tempo
e o irritante barulho de seu vaivém
tornava-me obsoleto.

Como se fosse um cego.
Era normal, e ainda assim,
havia a pena nata das companhias que me rondeava.
Nada enxergava
mas podia ver além do invisível.

Como se fosse eu.
Bruto de mim
com os pêlos d’alma
ora retesados
ora raspados.

Ahhh eu! Que só me vejo no amor!
E quando fora dele
sou quadro fosco ao lado da janela
sou feijão na panela
sem pressão
esperando até hoje o tempo de
a mim próprio
cozinhar.

trocandoideia

Nunca fui de olhar para o espelho.
Talvez porque não me gostasse.
Ou não me amasse.

Nunca fui de me olhar.
Talvez porque não me atraísse.
Ou por plena babaquice.

Neste momento, milhões de bebezinhos nascem no mundo.
Uns bonitinhos, outros feinhos.
Outros mais, uma gracinha, ‘cuti-cuti’.

Neste momento, dentes juvenis caem.
Uns são jogados no telhado.
Outros presos no caderninho da Tia-da-escola.
Outros mais, abruptamente arrancados.
Tornando as belezinhas – ou feiurinhas – banguelas.

Neste momento, alguns amam o espelho.
Estão felizes com seus corpos.
Imaginando as maravilhas do mundo em si.

Neste momento, alguns odeiam o espelho.
Reclamam da celulite tipo 3.
Ou da gordurinha no culote.
Ou, simplesmente, do nariz de chapoca.

Eu? Apenas olho.
Nada vejo.
O reflexo ali?
É apenas o reflexo.
Seria verdadeiro?
Seria bonito? Feio? Grande? Pequeno?
Prefiro não mais julgar.
Assim consigo me amar.

Num breve momento, olho-me nos olhos.
E penetro na íris, insólito.
Sinapses me mostram fofocas sobre endorfinas.
Serotoninas.
Todas essas vedetes químicas que nos acariciam o ego.

Evito ouvir.
Não quero aquilo ali.
Procuro algo profundo.
E perco-me em mim.
Num leviano ermo melancólico.

Desço alguns centímetros.
180 de mim (vem-me à mente).
E encontro o carmim.
Abro-me a porta pericárdica com a chave mestra.
E me surpreendo.

Ali, puro, o amor de mim.
O amor pleno. Poético e romântico.
O amor inveterado, que libera bregas cânticos.
Como harpas de anjos tão consonantes.
Que por um instante.
Na taquicardia, encontrei-me de mim.
E não apenas por mim!

Encontrei amigos.
Encontrei amores.
E te encontrei.

Dali, o líquido carmim que viajava por mim.
Fez-me brilhar os olhos.
Esmerar o sorriso.
Colorir minha pele.
Olorizar cada centímetro de mim.

Dali.
Amei-me plenamente.
Não mais encontrei-me temente.
E inefavelmente.
Amei-te.
Assim, dois num só.
Profundamente.
Sente?

Às vezes, ficamos sem gravidade.
Não é de costume flutuarmos sempre, poucas pessoas tem o dom (ou o defeito) em conseguir fazer isso.
Muitas vezes, a gravidade se perde devido a um amor, paixão, depressão, sorte grande ou azar demasiado.
Eis que nossos metros por segundo transformam-se em quilômetros por hora, e nossa energia potencial perde-se toda, ao despencarmos em movimento uniformemente variado. Uma queda acelerada no vácuo de nós.
Esta queda flutuante, faz com que a pressão exercida sobre nós aumente, mas, a mesma, nunca nos mata.
A temperatura sobe e nosso volume diminui.
Nossa frequência em hertz acaba por irritar os bem próximos a nós e também os não tão próximos.

É neste momento que necessitamos de ajuda.
Precisamos simplificar o que nos acontece, talvez com polias, talvez com alavancas.
Das alavancas, a interpotente não me enche os olhos, pois é forte, rápida e não condiz com atitudes laxas.
Das outras duas, sobra-me a interfixa, que faz eu fixar o problema na própria simplicidade dele, não precisando utilizar-se de grande resistência, como na interresistente.

É quando, nesta parte da vida, começamos a descobrir o complexo de nós.
É quando começamos a evoluir nos colocando capacitores e resistores, equilibrando nosso campo elétrico e potencializando nosso magnetismo.
Nossos próprios pólos, já não são tão inconstantes e, em torno de nós mesmos, começamos a rotacionar, girarmos em torno de nossas próprias dicotomias, entre viver e sonhar, encantar e machucar, sorrir e chorar.
É o que nos faz viver.
Faz nosso mundo realmente rodar.
E para viver, aproveitando tudo que há, devemos, sem pestanejar, estar sempre em nosso espectro eletromagnético, que nos intui, posto que, às vezes, as cores são bem visíveis e n’outras mais, os sons são inaudíveis.
Este é o segredo.
Sabermos e compreendermos que nós, na natureza, somos os únicos que traduzimos, em nossa máquina racional, sua beleza, e esta, ao ser traduzida, nos impregna mostrando e dando uma função neste mundo.
Traduzir a nós mesmos.
Viver.
Cabe a nós pormos energia nisso e vivermos da melhor forma a física bela e inebriante da vida.

No barco que cheira a fumo
A proa chora e descasca
A água arrebenta e lasca
A casa dos viajantes sem rumo

A arquitetura d’antes bela se fora
A casa, virara um barraco
Fétido, como o anfitrião matraco
De negligência incriminadora

Não brilha mais o verniz
O velejar tornou-se um horror
Cada lasca perdida é a dor
Dor de amor, que naufraga infeliz

Os viajantes ao cederem a quilha
E os anfitriões ao mostrarem-se laxos
Afundaram-se em seus próprios bombachos
Perderam-se ao ilharem, sem ilha

Hoje quem cheirava a fumo
Aninhou-se à natureza fidalga
Cheira a peixe, plâncton e alga
Exala a paz, solidão e prumo

Abissal, espera-se que fique
Recolhido, só, porém sendo
Nunca fora um barco morrendo
Nem tão vivo igual ao Titanic

Sei que é no escuro que começo a viver.
Que no claro, tudo ofusca, tudo faz doer.
Os feixes penetram de forma cancerosa que nem mesmo há câncer de pele que nos apodrece o pelame, talvez já putrificado de lamúrias mentais.
É no escuro que me vejo.
É no escuro que me almejo.
É no escuro que me estimo.
E é no claro que gotejo…
…milímetros a milímetros, de mim, liquefeitos.
Derreto-me.
Nada sou.
E fundo-me à sarjeta, esperando a noite para ser.
Fazer, fantasiar, encantar.
Meu eu obscuro é o mais puro e encantador que já inventaram.
Meu eu claro, nada o é.
Meu eu negro empunha o coração sangrando e aperta-o com demasiada força para que pulse com vigor.
Meu eu claro, é decesso.
Talvez eu seja, uma eterna sombra de mim que aspira à primeira penumbra para recostar.
Talvez eu seja dúvida.
Talvez, só reste talvez.
E o escuro da vida.
Discreto.
Pacato.
Fujão.
No escuro, o desejo é de estar só.
Mas lembro-me que…
…já estou.