Pergunta-se por aí: alguém pra me dar uma função?
E por que ninguém responde?
Respostas, respostas.
Às vezes a dúvida é degustante.
É como confessar ao cãozinho, posto que, é você que late.
E à confissão, não morde.
Mas também não pula, não circula no próprio rabo, sequer procura por osso.
Existe-se, consegue captar?
Funcionemos!
Atabalhoadamente, racionalmente, intuitivamente, severamente ou pela inércia.
Este último, só virando a traseira pro céu, esperando um banho de lume da lua. E que seja sempre cheia!
Talvez nossa função é não ter função.
É circular no próprio rabo.
É pular no amor, lambê-lo e roçá-lo.
É esquecer-se de fazer, fazendo; mesmo que encha pouco o bolso.
É simplesmente ser.
Respostas? Não haverá.
Talvez as encontre no meio do caminho antes que tropece na pedra.
E quando isso acontecer, provavelmente estará na encruzilhada.
Afinal, cada resposta traz mais algumas perguntinhas.
Portanto, pergunto: pra quê ter função?
Se toda vida é vida de cão?

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