Sabe aqueles dias os quais parece que as linhas de uma folha de papel voarão em nossos pescoços e nos enforcarão?
Como se fosse um capricho da mesma para se tornar ainda mais branca?
Não sei se é a falta de oxigênio ou se realmente a linha está me asfixiando.
Bramo sandices no intuito de me salvar.
Ou não.
Enfim.

Tenho lido muito coisa ultimamente.
Da mais breve notícia científica às filosofias de botequins.
Gostaria de estar ouvindo dos jogadores no pebolim, ao invés de ler.
Talvez tenha dito isso pelo meu recente-novo-eu-caseiro.
Aliás, velho eu, pois sempre fui assim, às vezes tão caseiro que mesmo em casa não me encontram.
Apenas dentro da minha mente.
Mas deixemos de divagações. Vamos à realidade!

Eis que hoje no trabalho – como quem ainda pensa estar trocando filosofias ébrias (rs) – norteio minha atenção a uma coisa interessante: que carência tem o mundo!
Vejo, aqui no reino da Terra, que as princesas nascidas a partir do ano de 1950 têm tanta história depreciativa de homens pra contar! Um desdém infame ao ‘foram felizes para sempre’.
Numa pesquisa de última hora com, no máximo, 20 pacientes mulher que atendi esta segunda-feira, vi que 95% delas, além de usarem ferradura quase que a vida inteira, ainda precisam terminar de polir as cicatrizes da infidelidade, nelas, vorazmente investidas.
Eu, como fisioterapeuta qualquer, acabei descobrindo que não posso contra este novo tipo de artrose (ou insuficiência cardíaca congestiva).
Uma dor crônica de cotovelo d’alma, que vão ficando – com o passar dos anos – cada vez mais frequentes. Vem virando lesões por esforços (vãos) repetitivos. Os famosos “LER” do coração.
Estas princesas, como se não bastasse suas decepções com os príncipes (ou sapos), eventualmente têm ensinado às discípulas da família real que não se deve confiar nos homens, e que o reino da Terra vive de libertinagem e falta de confiança.
(O que é, de certa forma, coerente. A tendência é sempre piorar. Não vejo mais ninguém casando.)

Meu Deus! Que dor forte é essa que as imbui!?
Como um mero fisioterapeuta pode amenizar esta dor e melhorar a qualidade de vida destas mulheres?

Sinto-me extremamente ultrapassado neste mundo.
É como se, de ponta-cabeça, tudo fizesse sentido.
Vejo uma falta de amor em tudo.
Vejo pessoas carentes sem saber como se livrar disso, sequer lidar com isso! Agem de uma forma tão estranha.
Vejo minha espécie se extinguir, e dá vergonha de ser homem.
E não só uma vergonha, como uma incapacidade.
Não posso curar as dores destas pessoas!
Por mais que meu tratamento, nesse caso, seja só carinho e atenção – como sempre é – infelizmente minh’alma só aceita amar uma só.
Uma andorinha não faz verão não!
Eu amo as mulheres! Quem não as ama? Elas merecem muito mais do que uma resposta pífia à sua sensibilidade intensa, sua beleza inata e sua existência.
Que não quebrem as costelas de Adão!

Inabilitado e de mãos vazias, apenas tento fazer minha parte, esperando que cada um faça a sua.
E no fim de mais um dia de trabalho e percepção, tentando me excluir disso tudo, chego numa conclusão:
Pasmem! Como tem moleque no mundo!
É até compreensível, afinal, bem difícil é ser homem.

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