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É quando fecho os olhos…

Invista-me, Sinestesia!
Vejo um poeta a cantar.
Ouço o verdejar de um homem.

– Ah! Menino. Não menino! Sim menino!

Palpo o Mi-Bemol no ar com as mãos aveludadas.
Suas ondas sonoras entram em reação química e se transformam em marrom-glacê!
O aroma de seu xarope oloriza a visão.
É um mundo real. Não é ilusão.
É a força inconsciente – ou subconsciente – que roga pela liberdade; pela expressão!
É assim então que a coruja-cega do ninho do incônscio reverbera sinestesias insanas.
Pipila pela efemeridade quão puder!

– E me solto assim, adejo sinestesias no vazio dos sonhos! – Sorri a coruja.

Ah! Quem dera me saber savant! Como já não me fosse?
Toco pixels com olhos de viciado. Vejo, com minha boca, o molhado sápido de uma divindade!
Energiza! Incinera! É carbo e hidrato!

Até quando o som arpeja a vida às sete da manhã, todos os dias.
Aterriso novamente à ilusão.

E aquele mundo fantástico apenas crocita no âmago, quando que por vezes troveja almejando vir à superficie.
O meio são as palavras:
mudas, apenas desenhadas;
fadadas a bailar por sobre as linhas das folhas;
faladas em olhos de outrem;
ouvidas nos corações de outros mais;
sentidas na subjetividade d’outros poucos;
As próprias, que são rodamoinhos, e arquitetam-se em frases, ou versos, que apenas se encaixam em puro lirismo pelo ouvido oculto do poeta.
Não me ouso poeta.
Mas oiço…

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Atirei-me, pois,
com ímpeto
empunhando a raiva imane!
Que força alucinante! Saraiva
de lavas!

Fatalmente avariado
meu corpo sobrepujara-se
e investira o algoz
dantes risonho
por fanar dois sonhos.

A ajuda não viera.
É quando vejo
que só havia olhos:

“- Meu irmão,
toma, nesta instância,
meu coração,
por toda nossa infância.

– Sangre a felicidade
como esta nuca
que se efunde
em meu fero punho!

– Sonhe infindo, em honradez
Pois, quando em eu e você,
por sorte,
a torpe morte,
jamais terá vez.”