You are currently browsing the monthly archive for junho 2009.

Como não se pudesse falar, acabei roendo freqüência por entre as cordas vocais.
O timbre emanou esmaecido e se foi acelerando a cada atrição de corda. As idéias saltando e pululando, se entusiasmaram ante o mundo exterior. Eram como bombas-surpresas, que explodiam nos semblantes superficialmente amenos.
Como não se pudesse encarcerá-las no interior, colori meu mundo a outrem. E olha que o que se via eram nuanças escuras, e sequer se poderia ligar a imagem (ou idéia) ao arco-íris. A propósito, eu tinha a certeza de que as cores, nalgum momento, ainda que fossem umbrosas, brilhariam o interior de cada ser que pudesse, inicialmente, odiá-las, embora alguns começantes desfaleciam e espargiam em surdez.
Em se espargindo em surdez – acabei assim me pondo em seus lugares – compreendi a diferença entre se poder, instintivamente, falar o que quer, sem ruídos; e exprimir-se com o intuito de sarapantar as impressões alheias. Assim surdo, ainda ouvia o ribombo dos amoladores de facas (grandes calistos da vida, era como havia aprendido sobre eles). Por mais espantado que eu mostrasse, ainda assim, minhas ideias jorradas como facas sem amolar, eram realmente coerentes. Sim, talvez não houvessem amoladas, mas o que vem do interior não é sempre tão mistifório?
A cada eureca, um telegrama interior confuso borbotava. Chegava às sensações minhas e acrescentava emoção em demasia. Como eu poderia estar mudo, se meu corpo dançava “brasileirinho” tão mais rápido que descompassava?
Assim descobri como são minhas expressões: desordenadas quanto meu sentir e que causam impressões nenhumamente debilitadas.
Portanto, que não se assustem com as ondas de minhas cordas vocais.
Afinal, por mais que não acreditem neste revolucionário revoltado – ou simplesmente num brincante premeditado que gosta de chocar – saibam que sou nada menos, nada mais, que mais um mundo a se desbravar e se nivelar a sensibilidade.
Talvez de sonho. Talvez de realidade.
Cada mundo é, na maioria das vezes, oco, ainda que ímpar. Cabe a nós, cada qual, orná-los!
Compartilhemo-nos!

Anúncios