A vontade quero assim: me formatar.
Fragmentar não dá. É impossível escanear-me totalmente.
Deletar arquivos de mim. Fotos, vídeos, algumas lembranças.
Desligar meu autoexec. Apagar todos os dlls, os executáveis, os configurados para funcionar logo ao acordar pela manhã. Que nada funcione!
Poluir, aviltar, corromper tudo que já se parece corrompido.
Deletar meu autoconhecimento é o mais importante.
Não saber; enleio!
“Um gole de amnésia para paz!”

Começar do zero, sem upgrade, sem vírus, sem falhas e sem bugs.
Bruto!
Situações que nos acontecem acabam por nos condicionar em algo, e este condicionamento traz a falha.
Tudo é falha. O ser é falho. Imperfeito (não me posso aceitar generalizações! Isso talvez seja mais uma falha).

Nietzsche era sábio. O ser humano precisa ter poder, porque o poder dá o controle.
Mas, nada se ‘pode’ controlar.
Tudo é um emaranhado de descontrole e infelizmente não se pode simplesmente digitar “format”, sequer fazer com que tudo se esvaeça.
O que esvaece é a sensação do poder, ficando a impressão da inépcia; ficando a impressão de que nada sabemos e por isso, nada podemos.
Talvez, o que saibamos atrapalhe; e não é pouco!

Meu desejo neste domingo é voltar a ser simples e ignorante.
Fazer parte da penumbra… e por que não do total negrume?
“Poder” ser uma essência, ao invés de um mundo vasto.
“Poder” ser um nada espalhado por tudo.
“Poder” não querer poder.
“Poder” descontrolar-me, assim como o todo é descontrolado.

Só quero a paz de nunca mais.
Saber menos, sentir menos, até me esfumaçar na paz, como uma pomba (branca) se perde, engolida pelo anil celeste.
Que mais posso fazer, senão, simplesmente, não poder?
Que os fantoches riam de mim, e caçoe de meu asnear.
E que eu realmente profira a mais bela (ou horrível) essência, mas que seja bruta.
Não importa o jugo.
Importa é a nonada.
Vou dar um reboot…

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