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Ao pé do altar, o padre profere:
“– Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença…”.
Quase sempre a resposta é sim. Talvez a boca não pudesse estar preparada para dizê-lo, porque, de fato, precisá-la-ia sintonizada com o burburinho interior da verdade, nada mais que a sensação de aceitação total daquela que nos compete o corpo, a vida e a alma – a companheira.

Ah! Manuel Bandeira diria que as almas não se compreendem, apenas os corpos. Discordaria, sentimentalmente, mas acabo por me sentar ao lado de sua presciência, afinal, naquela época, talvez, as pessoas já não mais sentissem suas almas, ocupadas com uma realidade que não faz do mundo, o Mundo.
Quantos mundos, realmente, temos no Mundo!? Uns bilhões!?

Sabe-se: o mundo ficou mouco. E loucos são aqueles que não compartilham desta ínfima sabedoria. O silêncio se prolonga afora ao abstrato. Torna-se paredes cada vez mais densas, encorpadas ante duas pessoas tão próximas, quase unas!
O não-dito se acontece como tísica da inspiração do amor. Machuca e dá pontadas até ser dito, sobretudo, nunca o é!
E os casamentos viram divórcios; e os amores viram indiferenças, ódios, nem sempre verdadeiras indiferenças tampouco verídicos ódios assim. Só resta o silêncio.
O silêncio dos corpos, o silêncio da vida… o silêncio das almas!
E a mouquidão vence as batalhas interiores, esvaindo mundos…

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