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No barco que cheira a fumo
A proa chora e descasca
A água arrebenta e lasca
A casa dos viajantes sem rumo

A arquitetura d’antes bela se fora
A casa, virara um barraco
Fétido, como o anfitrião matraco
De negligência incriminadora

Não brilha mais o verniz
O velejar tornou-se um horror
Cada lasca perdida é a dor
Dor de amor, que naufraga infeliz

Os viajantes ao cederem a quilha
E os anfitriões ao mostrarem-se laxos
Afundaram-se em seus próprios bombachos
Perderam-se ao ilharem, sem ilha

Hoje quem cheirava a fumo
Aninhou-se à natureza fidalga
Cheira a peixe, plâncton e alga
Exala a paz, solidão e prumo

Abissal, espera-se que fique
Recolhido, só, porém sendo
Nunca fora um barco morrendo
Nem tão vivo igual ao Titanic

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Sei que é no escuro que começo a viver.
Que no claro, tudo ofusca, tudo faz doer.
Os feixes penetram de forma cancerosa que nem mesmo há câncer de pele que nos apodrece o pelame, talvez já putrificado de lamúrias mentais.
É no escuro que me vejo.
É no escuro que me almejo.
É no escuro que me estimo.
E é no claro que gotejo…
…milímetros a milímetros, de mim, liquefeitos.
Derreto-me.
Nada sou.
E fundo-me à sarjeta, esperando a noite para ser.
Fazer, fantasiar, encantar.
Meu eu obscuro é o mais puro e encantador que já inventaram.
Meu eu claro, nada o é.
Meu eu negro empunha o coração sangrando e aperta-o com demasiada força para que pulse com vigor.
Meu eu claro, é decesso.
Talvez eu seja, uma eterna sombra de mim que aspira à primeira penumbra para recostar.
Talvez eu seja dúvida.
Talvez, só reste talvez.
E o escuro da vida.
Discreto.
Pacato.
Fujão.
No escuro, o desejo é de estar só.
Mas lembro-me que…
…já estou.

Fina flor
que exala metáforas
com ardor
sem máscaras
nua d’alma, e de si, vestida de amor.

Vestida de fina e afável gentileza.
De estonteante beleza.
Não a exterior!
Mas aquela, que nos dá a fortaleza
que nos impele com furor
quando, as cartas, tu pões
ou seriam as esmeradas publicações?
Na mesa.

Farta de autoconhecer
de humilde saber
que não sabemos
nem tu, nem eu, nem todos
mas que faz com que procuremos
com acuidade
em nós, satisfatoriamente lidos de ti,
o desejo de sorver e nos servir
de nossa própria curiosidade.

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Ft – 11.02.2009 – 23:13hs.
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Essa poesia é em homenagem à querida escritora Monica Montone.
A rainha das metáforas.
E sim! Eu leio o Fina Flor!

Pequena e serena
Trejeito interessante
Falta de semblante

Serena e pequena
Negligência gigante
Aparência estonteante

Demasiada e espevitada
Mulher de balada
Moça de bebida

Ferida?
Talvez embebida
De desprezo, descarinho
Falta-lhe um ninho

Ou um homem
Que diga seu nome
Que afague sua apatia
– Deixe-o entrar!
Ou ficará para titia!

Quando omitires
Cegarás, desalento sentirás
Secar-lhe-ão os mares
Apagar-lhe-ão as luzes
Na resposta que a dirá

Se ainda omitires
Sentir-lhe-á no rosto
Aquilo que lhe ferires
Inundaria um pires
Lágrimas, desgosto

Provoca-lhe a ira
Eis que te machucas
E esse mouro pira
Na dúvida mata e atira
Libertando-lhe as Cucas —

Lobo-mau, bicho papão —
Verdade prendida
Contos de caixão
Mentira e ilusão
Doenças da vida.

Quando emitires
Jamais cegarás, paz reinará
Ainda assim, se te não sorrires
Se te não honrares
O tempo lhe acordará.

Temível verdade
Mas, colete da alma
Suspiro que acalma
De fato
Relato
E de pé bato palma

Foi feliz..
Fiz farofa, feijão…façanha!!!!
Fomentei fermento, FIGURA!!!!!
Foi fartura! Festão!
Falei, falei, falei..
Felicitei familia..
Fabiana, Flávia, Fernandinhaaaaa!
Faz favor? Fiquem!!!
Fico feliz.
Foi fino!
Fim!

Metáfora, anacoluto, silepse
Catacrese, antítese, pleonasmo
Deixa-me pasmo
Em meus olhos, sepse
E a gramática, um marasmo

Msn, irc, skype
Blogs, flogs, orkut
Deixa-me put– !!
Um baralho sem naipe
Jogo sem regra: enuncia o caput!

Onde estão?
O til, a vírgula, o acento
O infinitivo? Tormento!
Talvez, só reste chavão
Cabeças de vento!

Aqui meu eu encontrei
Semblante tão risonho!
Mostrar-me-vos tal ser tristonho
Em imediato sentir-se um rei
Afinal, vós sois sonho!

Arranquei de junto ao peito
Esse frio, sem brio, vazio
E bramei como um Xerife
Contra o rês contentamento
Chifre
Veja! Meu esquife!

Não sucedeu o término,
E a futura ex…
Megera, biscaia, vaca!
Cheia de freguês!

Fenestrei o féretro
Alumiando, surgiu um novo sentimento:
“Sem mais tormento rameira, lamento!’
Meu voraz ataque de novas quimeras
Vitimam minha imagem laxa
E enfim, emancipo-me da caixa

No divã,
Venço a batalha
Meu ódio não falha
Me amo, sublimo
E enfim, fastuoso rimo:
Não há quem me valha!

Projetar-se em nuvens
Nublar-se no prazer
Mandriar por frivolidades
Separar-se com mil hífens
Cada qual aprender a ser

Para no futuro acomodar
Talvez já, não permanecer
Ao divagar no precioso
Formoso, caloroso, ditoso
Concluir-se ao ascender

Estímulo que não vem
Barulho ensurdecedor
Como o tiquetaquear
Ou estar um pouco aquém
Venha logo, por favor!

Siga firme ao meu lado
Fraternal, paternal, trivial, excepcional, descomunal
Estais aqui? Não enxerguei
Pois vi, senti, ouvi, sucumbi
E descobri: estagnei no maternal.