No barco que cheira a fumo
A proa chora e descasca
A água arrebenta e lasca
A casa dos viajantes sem rumo

A arquitetura d’antes bela se fora
A casa, virara um barraco
Fétido, como o anfitrião matraco
De negligência incriminadora

Não brilha mais o verniz
O velejar tornou-se um horror
Cada lasca perdida é a dor
Dor de amor, que naufraga infeliz

Os viajantes ao cederem a quilha
E os anfitriões ao mostrarem-se laxos
Afundaram-se em seus próprios bombachos
Perderam-se ao ilharem, sem ilha

Hoje quem cheirava a fumo
Aninhou-se à natureza fidalga
Cheira a peixe, plâncton e alga
Exala a paz, solidão e prumo

Abissal, espera-se que fique
Recolhido, só, porém sendo
Nunca fora um barco morrendo
Nem tão vivo igual ao Titanic

Anúncios

Sei que é no escuro que começo a viver.
Que no claro, tudo ofusca, tudo faz doer.
Os feixes penetram de forma cancerosa que nem mesmo há câncer de pele que nos apodrece o pelame, talvez já putrificado de lamúrias mentais.
É no escuro que me vejo.
É no escuro que me almejo.
É no escuro que me estimo.
E é no claro que gotejo…
…milímetros a milímetros, de mim, liquefeitos.
Derreto-me.
Nada sou.
E fundo-me à sarjeta, esperando a noite para ser.
Fazer, fantasiar, encantar.
Meu eu obscuro é o mais puro e encantador que já inventaram.
Meu eu claro, nada o é.
Meu eu negro empunha o coração sangrando e aperta-o com demasiada força para que pulse com vigor.
Meu eu claro, é decesso.
Talvez eu seja, uma eterna sombra de mim que aspira à primeira penumbra para recostar.
Talvez eu seja dúvida.
Talvez, só reste talvez.
E o escuro da vida.
Discreto.
Pacato.
Fujão.
No escuro, o desejo é de estar só.
Mas lembro-me que…
…já estou.

Fina flor
que exala metáforas
com ardor
sem máscaras
nua d’alma, e de si, vestida de amor.

Vestida de fina e afável gentileza.
De estonteante beleza.
Não a exterior!
Mas aquela, que nos dá a fortaleza
que nos impele com furor
quando, as cartas, tu pões
ou seriam as esmeradas publicações?
Na mesa.

Farta de autoconhecer
de humilde saber
que não sabemos
nem tu, nem eu, nem todos
mas que faz com que procuremos
com acuidade
em nós, satisfatoriamente lidos de ti,
o desejo de sorver e nos servir
de nossa própria curiosidade.

—————————————
Ft – 11.02.2009 – 23:13hs.
—————————————
Essa poesia é em homenagem à querida escritora Monica Montone.
A rainha das metáforas.
E sim! Eu leio o Fina Flor!

Dizem que a vontade humana é aquela que nos impele quando temos um propósito.
Sim!
Há um propósito em tudo que temos vontade. E quando este propósito é importante é onde entra a força de vontade.
Sabe-se que a cada dia, as pessoas sentem vontade de amar.
A cada dia, sentem vontade de ter carinho, amor, atenção e cuidado.
A cada dia, sentem não sentir…e a vontade que existe é de sumir.
Mas, há de se assumir, que vontades são genuínas. Porque nunca adianta dizer não a elas, você sempre terá aquela vontade.
Vontade não é algo de nosso livre-arbítrio.
Às vezes, escolhemos ter…
…às vezes, não escolhemos, ela simplesmente vêm.
Vem e detona você, quando a mesma não é de todo sensata.
Um grande exemplo são as mágoas. Você não tem o desejo de magoar, mas dá uma vontade que você não consegue segurar.
E isso acontece, com todos.
Portanto, há de se compreender…
…que vontade é algo inerente, genuíno, nosso, que não morre de uma hora pra outra…
…vontade é algo mágico, é exceção, é mais que sentimento, é mais momento, é mais passado, mais futuro e mais agora é mais presença.
Vontade é querer.
É ter.
E compreender…
…que esta mesma vontade…
…nada mais é do que…
…nosso destino, nos impelindo a frente.
E aí!? Qual a sua maior vontade?

Nada mais há no mundo do que o próprio mundo.
Nosso mundo.
Aquele interior, que fantasiamos coisas, que imaginamos futuros lindos, que nos entregamos totalmente e que nos faz ver um mundo diferente.
Eu tenho paz. Quando estou nos dois mundos.
O interior e o exterior.
Devo, e sei que devo, apreciar e estar presente sempre nesse mundo exterior.
Pois estando fora, não estarei dentro.
O mundo interior, é carregado de fantasias, de sentimentos, emoções, alentos e desalentos.
O mundo interior, é o meu mundo.
Minha sensiblidade exala tão forte, que da mais bela flor ofusca-se a beleza, quando mostro minha luz.
Sou especial.
Às vezes, sou tão especial, que tenho medo de mim. Tenho medo de me perder loucamente de mim.
Medo de me precipitar…verbo, que lembra precipício.
Hoje, eu chorei por algumas horas.
E chorarei por alguns dias.
Mas não pela vida toda. Pois minha vida está no exterior.
Pois minha vida, que do interior se alimentava, no exterior ficará extasiada.
Ficará brilhante!
Limparei a bagunça do meu coração.
Tenho tempo, tenho imaginação.
Tenho criação.
Sou suficientemente forte, e Deus sabe disso.
Nunca deixarei de ser sensível.
Nunca deixarei de tentar amar plenamente.
Nunca deixarei de tentar me sentir liberto.
Sou o que sou…
…e o precipício, ao invés de me impelir mais profundo…
…traz-me à superfície…
…e me valorizo.
Me amo.
Muito mais do que qualquer mulher…
…sequer imaginará amar.
Serei etéreo por mim.
Serei de um vermelho carmim, tão brilhante…
…que mesmo os semblantes…
…ajoelhar-se-ão a mim.
Portanto, não me importo.
Lealdade, fidelidade e amor…
…virtudes que deixaram o mundo exterior…
…e interior…
…de cada ser…
…que quando não se me utiliza deles…
…ao invés de me matar…
…faz-me sobreviver…
…e me valorizar…
…crescer.
Sou ser, e você? Aprenderá a ser?

O vento soprava.
As nuvens cinzentas envolviam o brilho do sol…que não se escondia.
Brilhava sobre as ondas.
Podia-se ver debruçando-se sobre os pequenos montes que o ar movia naquele mundo de água, cada montinho!
De manhã, a natureza é mais bela.
Os pássaros conversam, fofocam, planejam a próxima refeição…
…outros planejam a viagem que farão.
Outros, apenas cantam, agradecendo a Deus pelo encanto da vida.
Como o ser humano pode ter olhos tão salobros?
Como o ser humano pode não enxergar e ainda duvidar que essa criação foi a mais perfeita já feita?
Como o ser…deixa assim de ser?
Valeu a pena minha visita a Deus. Quase cantei com o sabiá. Quase rimei com o bem-te-vi.
Achei que fazia aquilo por alguém.
Talvez pra mostrar o quanto sou espirituoso, bondoso, caridoso, amoroso..e um monte de adjetivos que inflam nosso ser.
E logo vi, que nada disso importava..apenas estar ali.
Logo vi, que eu nada era se ali não estivesse.
Aproveitando a vida, agradecendo a vida..e mais, vivendo!
Apaixonado como sou, não sabia que encontraria ali…
..uma válvula de escape para dar sentido a uma vida amargurada, de desconfianças, de falta de esperanças, de rumos.
Nada disso importa. Porque não há rumo. Não há desconfiança.
O passado já passou. Do futuro, não mais me alimento.
Eu já sou feliz. Muito mais do que qualquer pessoa que possa achar que é.
Eu não preciso de nada. Eu já tenho tudo!
Eu já tenho a vida.
Eu já tenho Deus.
Sou sortudo!
Porque sou!

—————————————————————————————————————————

Às vezes me jogo demais.
Jogo-me tanto, que não me encontro mais.
Cego em tiroteio, tetraplégico no arrastão. Não importa.
Importa que não digo não.
Feio não é se jogar.
É não saber se comportar.
O equilíbrio ficou aonde?
Certa época, uma voz sacana falaria (menos educadamente): “No ânus do Conde.”
Engraçadinha voz. Que me traz pra agora.
Mas até que a ‘negritude’ dessa imagem chula faz-me refletir. Por incrível que possa parecer.
Nada quero demais.
Nem de menos.
A palavra é querer.
Sorte minha? Conheço o amor pobre? Desconheço o outro. Novidade, aonde? Já disse, a palavra é querer.
Onde estão as cartas, os tarot, os logs, os blogs, as mensagens, as fotos e, finalmente, os fatos?
Não importa. O amor é um pulo.
E já me joguei.
Se voarei, não sei.
Só sei que quando claro, fica escuro. E quando nebuloso, a luz corta com veemência e lhe abre caminho.
Caminho este, que está lá. Basta enxergar.
A não ser que já tenha pulado.
Cadê eu? Segure-me!
Ou deixe-me ir.
Além!

E o relógio quebrado canta reprimido o tic-tac
nasci hoje, nasceste ontem
desencontro.
Por um triz…
cheguei atrasado
foi Deus quem quis.

Que horas são?
Aqui e agora
tão
são
marco meu xis.

Hoje foi um dia especial.
Enquanto eu escrevia uma estória, outra história purgava ainda mais meu ser, e subitamente fulgurava e abrilhantava em cores estonteantes um mundo antes cinza fosco.
A estorinha está aqui no post abaixo, não sairá daí! Está eternizada..mas não pelo local ou as palavras, mas também pela madrugada. A boa madrugada!
Juro! Prometo! Desta vez foi diferente!
Não vi daonde saiu e não me importo. Se a morte súbita por atropelamento ou qualquer outro desastre é assim tão veloz, em milésimos de segundos…o renascimento também deve ser…porque, não é possível!!!

Senti-me na Grécia. Não! Eu não era um dos titãs, era apenas um mero mortal…
…e em meio todos àqueles deuses mitológicos, dei de cara com o mais temível, mais impetuoso, mais injusto e estúpido deus..Eros!
– Ei você–
Nada mais pude dizer.
Sua flecha alvejara-me desbaratando 3 das minhas costelas, perfurando tudo avante…e queimava. Ardia. Derretia! Ahh! Como derretia!
Ah!!! Que entidade malévola!

Acertara-me preciosamente! E eu – mesmo com aquela armadura chumbada de amor próprio, desilusão e falta de esperança – tive que aceitar que tudo aquilo estava acontecendo novamente.
Quantas vezes fui acertado por Eros? E quantas vezes sofri o pavor do tratamento que aquela ferida causava, quando não se curava rápido?
Duas? Três talvez? Não me recordo agora. E não dá! Porque está ardendo.
Perdi-me de minha armadura.
Perdi-me de meus comportamentos prontos.
Perdi-me de minha razão.
Só me restou a sensação picante! (Aqui, deixo em aberto para que o leitor possa dar o sentido que quiser ao picante)
E emoções…eternizadas! Exatamente unidas à estória escrita no post abaixo!

Enfim!
Dia após dia, venho desejando um acaso. Não importa bom ou ruim.
Meu pedido foi concedido.
E eu gostei de ter finalmente esse acaso.
Talvez ruim, como aparenta ser nas palavras supracitadas: flechas; entidades malévolas! Uuuh!
Talvez bom, como parecera no início do post.
E talvez maravilhoso, mas não pra todos, apenas pra alguém especial.
Que é o doce, o som, a luz e a alegria!
A soma.

Insônia, já pode sumir. Volte amanhã!

Anos e anos de penitência amorosa fizera deste deplorável ser um errante bebum das comunidades virtuais.
O Eremita Bebum Ft, que vagava às margens dos rios José Cuervo e Johnny Walker por muitas madrugadas, procurava encontrar o peixe-vampiro-ébrio que o mordera nas jugulares e morrera, – devido à infecção cardíaca e angiológica provocada por uma jovem desprovida de sapiência – para desculpar-se do ocorrido, ou dá-lhe novamente a chance de alimentar-se. Também procurava veementemente mais um bar, ao qual despojasse sua fraqueza e destilasse seu castigado passado amoroso. Caminhara por muitos megabytes. Chegara a pensar que poderia concorrer à São Silvestre orkutiana, mas logo após deixara de lado esta inquieta e sombria idéia.
Depois de quase um giga, encontrara um local apropriado para afogar sua amargura.
O local era de uma tremenda elegância: paredes enfeitadas com sonetos de fregueses assíduos – talvez alguns cianóticos que também tiveram seus corações arrancados, e que dali, nada pulsava -; bebidas das mais exóticas, uma delas chamada “Insight”, que era uma mistura de criatividade com senso, e também uma vitrola que tocava canções tão apuradas que a amargura do errante-dos-rios estagnara. Até que algo mágico acontecera.
O Eremita Errante Solitário Ft encontrara, finalmente, o seu bar.
Pronunciava suas amarguras com tamanha autoridade, que ao invés de ser reprimido, passara a ser querido. Não entendia de onde vinham tais louvores, mas isso o estimulou de uma forma tão inefável que sentira-se em casa, a cada segundo, a cada minuto, a cada momento, tornara-se um feliz alheio, já que não era de costume se amar.
Desde então, tal ser deplorável sentiu-se velado de quaisquer punhais envenenados de angústias sentimentais. Nada mais o atingira. Nada mais o faria mais contente, do que estar ali, naquele bar, exagerado de sensitividade e cultura.
No fim, dera-se o jus valor e prometera:
– Aqui viverei. Aqui respirarei deste oxigênio, e aqui ficarei.
Talvez até quando uma eventual princesa-carrasca o aprisionar, ou até quando a plebéia afetiva e benevolente fazê-lo suspirar até o terno e ditoso final feliz, nunca se esquecendo que aqui sempre fora o meio, o desenvolvimento, o essencial, o prazeroso…divinal caminho, ao qual lembrar-se-á como o acalanto de su’alma.

Pequena e serena
Trejeito interessante
Falta de semblante

Serena e pequena
Negligência gigante
Aparência estonteante

Demasiada e espevitada
Mulher de balada
Moça de bebida

Ferida?
Talvez embebida
De desprezo, descarinho
Falta-lhe um ninho

Ou um homem
Que diga seu nome
Que afague sua apatia
– Deixe-o entrar!
Ou ficará para titia!

Quando omitires
Cegarás, desalento sentirás
Secar-lhe-ão os mares
Apagar-lhe-ão as luzes
Na resposta que a dirá

Se ainda omitires
Sentir-lhe-á no rosto
Aquilo que lhe ferires
Inundaria um pires
Lágrimas, desgosto

Provoca-lhe a ira
Eis que te machucas
E esse mouro pira
Na dúvida mata e atira
Libertando-lhe as Cucas —

Lobo-mau, bicho papão —
Verdade prendida
Contos de caixão
Mentira e ilusão
Doenças da vida.

Quando emitires
Jamais cegarás, paz reinará
Ainda assim, se te não sorrires
Se te não honrares
O tempo lhe acordará.

Temível verdade
Mas, colete da alma
Suspiro que acalma
De fato
Relato
E de pé bato palma

Foi feliz..
Fiz farofa, feijão…façanha!!!!
Fomentei fermento, FIGURA!!!!!
Foi fartura! Festão!
Falei, falei, falei..
Felicitei familia..
Fabiana, Flávia, Fernandinhaaaaa!
Faz favor? Fiquem!!!
Fico feliz.
Foi fino!
Fim!

Metáfora, anacoluto, silepse
Catacrese, antítese, pleonasmo
Deixa-me pasmo
Em meus olhos, sepse
E a gramática, um marasmo

Msn, irc, skype
Blogs, flogs, orkut
Deixa-me put– !!
Um baralho sem naipe
Jogo sem regra: enuncia o caput!

Onde estão?
O til, a vírgula, o acento
O infinitivo? Tormento!
Talvez, só reste chavão
Cabeças de vento!

Aqui meu eu encontrei
Semblante tão risonho!
Mostrar-me-vos tal ser tristonho
Em imediato sentir-se um rei
Afinal, vós sois sonho!

A beleza dá raiva.
Normalmente, as pessoas se sentem mal com a beleza. Seja pra conquistar ou pra dar algum desdém.
Porque no fundo, sabemos que aquela beleza exterior é um convite para entrar num mundo ilusório. Vemos aquela beleza estonteante em nossa frente e isso faz com que murchemos de uma maneira tão avassaladora quanto à decepção de ser o último colocado em um concurso.
Venho caminhando nesse planeta por 26 anos, observando tudo que há de novo e de velho, de belo e precioso, de feio e rançoso. Tenho muito mais a descobrir, e a cada descoberta, sei que posso mudar minha opinião sobre tudo e qualquer coisa.
Sempre disse e repeti que a verdadeira beleza não é algo nato. É algo que produzimos com o passar dos anos, algo que não está estampado na capa de uma revista fotográfica, mas ali escondida, no interior dela em meio a palavras, ironias, citações, rabiscos e desenhos.
Essa beleza quando é produzida não nos provoca raiva.
Não nos assusta, nem nos apavora.
Não nos muda nosso jeito de lidar com a coisa.
Pelo contrário, ela assusta de uma maneira impagável, descomunal, extraordinária.
Ela nos deixa bem, nos faz sermos o que somos naturalmente, nos faz sentirmos felizes em estar ali, alimentando o elo entra a fábrica de produção da beleza e nossa existência!
Muitas pessoas simplesmente têm beleza. E isso me irrita.
Não que eu não goste de ver o belo, mas porque aquilo é uma máscara, aquilo não é produzido, aquilo não é o que realmente parece ser… quase nunca é!
Mas, essa beleza sempre nos chama! Envolve-nos com seu sorriso quase primoroso, seus trejeitos equilibrados e bem esculpidos, suas curvas que mais parecem perfeição geométrica…
…e por fim, nos hipnotiza. Por alguns segundos, por alguns meses..até anos! Às vezes, a vida toda! E quando você acredita que aquilo é realmente belo…você chega a conclusão que a beleza não está do outro lado..e sim exalando de ti! Do seu amor! Da sua lealdade!
Vê que você produz a beleza..e por mais que o tempo passe, nunca fica feio.
Em compensação…com o tempo, sai da ilusão e vê que beleza não produzida enferruja e passa…como a paixão ilusória que ela seqüestrou.
Portanto, os realmente belos são aqueles que são eles próprios, quase parte integrante da natureza…
…e se há uma coisa mais bela que a natureza, por favor, me apresente!

O interlocutor contar-vos-á uma historinha sobre amor.
Hoje fui comprar um carro.
Resolvi fazer isso, porque não tenho o que fazer…
…talvez isso mate o meu tédio por algum tempo…ou o meu desejo realizado de comprar um carro do ano…mas talvez eu esteja me iludindo.
Quando cheguei…eu vi que não queria um carro.
Vi que não era um carro que me faria pleno. Feliz.
Eu poderia ter o dinheiro pra comprar qualquer carro! Mas não me faria feliz!
Mas também vi que deveria estar ali naquele lugar…que deveria passar por ali…
…e, por incrível que pareça, dei de cara com tudo que me pareceu pleno…
…dei de cara com a futura, fantasiosa e imaginária felicidade!
Divaguei por horas e horas em um simples segundo e….amei-a à primeira vista.
Meu Deus! Quanto tempo não sentia isso! Meu coração palpitava…eu sentia vergonha, receio, anseio, vontade, desejo, salivava, suava, me sentia mal, me sentia bem, imaginava e ficava feliz, triste, irritado, esperançoso, tímido, com medo, sem vergonha, maluco, neurótico e logo depois calmo…
…isso tudo em questão de segundos!
Não queria parar de vê-la, mas também não queria olhá-la.
Como o ser humano é complicado!
Eu sei que, no fim…naquele liquidificador de sentimentos que me dava inúmeras escolhas – como se tivesse (ironicamente) numa concessionária escolhendo um carro – as sensações maiores foram a vergonha e o medo.
Medo de dizer que nenhum daqueles carros me faria feliz como aquela moça poderia.
Vergonha de simplesmente dizer um oi, ou dar um elogio à altura.
E nisso, passa-se um filme em minha mente – ao melhor estilo “Lista de Schindler” – demorado, sofrido…
…e acabo me jogando de (na?) cabeça na 7ª-dark-arte, essa arte melancólica, destrutiva, inerte, “mais-ou-menos”, feia e triste.
Poderia ter dito algo legal. Poderia ter ao menos tentado dizer algo legal. Poderia ter conversado, conhecido, brincado, encantado. Sim! Poderia…eu posso! Eu sei o que sou, como sou e como fazer…então, porque escolho não fazer?
Talvez porque no fundo…todos nós humanos esquecemos que já somos felizes. Que já temos tudo que queremos…que aspiramos as coisas, os outros, as mulheres, os carros novos e isso tudo não modifica a tenra felicidade que já nos acomete.
Eu amei por um segundo.
E em um segundo, desisti de amar.
Minha sorte é saber que segundos não existem…e que estou preso no que eu imagino, não fazendo o que realmente quero.
Mas Deus é bom e sempre nos dará uma segunda chance de nos apaixonarmos por um segundo…
…1 segundo apenas, escasso, mas pleno e eterno.
Ai, o amor!

Todos os dias morre um amor.
Quase nunca percebemos, mas, todos os dias morre um amor.
Às vezes, de forma lenta e gradativa, quase indolor, após anos e anos de rotina.

Às vezes, melodramaticamente, como nas piores novelas mexicanas, com direito a bate-bocas vexatórios, capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos.

Pode morrer em uma cama de motel ou simplesmente em frente a uma televisão, nos domingos da vida.
Morre sem um beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem olhares compreensivos, com um gosto salgado de lágrima nos lábios.
Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, menos afetuosos, diálogos cada vez mais resumidos, de beijos cada vez mais gelados…
Morre de mais absoluta e completa, letal inanição!!!

Todos os dias morre um amor, embora nós, românticos mais na teoria do que na prática, relutemos em admitir.
Pode morrer como uma explosão, seguida de um suspiro profundo, porque nada é mais doloroso que a constatação de um fracasso, de um fracasso afetivo, do fracasso de um amor, de saber que, mais uma vez, um amor morreu.

Porque, por mais que não queiramos aprender, a vida sempre nos ensina alguma coisa. Sempre!

Esta é a lição: qualquer amor pode morrer. Cuidado!
E, todos os dias, em algum lugar do mundo, existe um amor sendo assassinado, brutalmente, friamente…

Como pista do terrível crime, surge uma sacola de presentes devolvidos, uma lista de palavrões sem censura, ou o barulho insuportável de um relógio depois da discussão…

Afinal, todo crime deixa as suas evidências!
Todos nós podemos ser um assassino. Todos nós, sem nos darmos conta, poderemos estar matando, a cada dia, algum amor de alguém; e podemos agir assim, como assassinos furtivos, poderemos nos esconder debaixo de cobertas, poderemos nos refugiar em salas de cinema vazias, ou preferir trabalhar que nem um louco, ou viajar para “espairecer”, ou confessar a culpa em altos brados, fazendo do garçom de uma mesa de bar o nosso confidente…algum amigo ou alguma amiga que esteja disposto a nos suportar as lamentações.

Mas, há também aqueles que negam, veementemente, a sua participação no crime, e buscam por novas vítimas em salas de bate-papo ou pistas de danceteria, sem dor ou remorso.

Os mais periculosos aproveitam sua experiência de criminosos para escreverem livros de auto-ajuda, com a ironia de quem tem muito a ensinar para os corações ainda puros, que não sabem lidar com as dores da frustração do amor.

Existem, também, os amores que clamam por um tiro de misericórdia, ainda estão juntos, mas, se comportam como um cavalo ferido, esperando sacrifício. Só querem isso, que alguém dê um tiro de misericórdia.

Existem, também, os amores-fantasma, aqueles que se recusam a admitir que já morreram, que não existem mais. São capazes de perdurar anos, como mortos-vivos sobre a Terra, teimando em resistir, apesar das camas separadas, dos beijos frios e burocráticos, do sexo sem amor, se houver.
Esses não querem ser sacrificados, mas irão definhar, dia após dia, porque não têm mais o toque saudável, não têm a palavra estimulante, se tornarão laranjas chupadas.

Existem ainda os amores-vegetais, aqueles que vivem em permanente estado de letargia, que se refugiam em fantasias platônicas, passadas.

Mas, eu quase já desistindo de entender a questão do amor e da sua busca, pude encontrar ainda uma outra classificação: os amores-vencedores. Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência, das infinitas contas a pagar, da paixão que não existe mais, com o decorrer dos anos, da mesa redonda do final de semana, das roupas íntimas penduradas no chuveiro, e das brigas que não levam a nada, ressuscitam das cinzas e se revelam fortes, pacientes e esperançosos. Mas esses são raríssimos, e há quem duvide de sua existência. São de uma beleza tão pura, tão encantadora que exalam um perfume que contagia, e quem se encontra no raio daquele perfume vai sentir a força deste amor; mas, alguns acham que é lenda, que não existe.

Um dia, eu vou colocar um anúncio bem espalhafatoso no jornal:
PROCURA-SE UM AMOR VERDADEIRO, UM AMOR VENCEDOR
– oferece-se generosa recompensa.

Mas, no fundo, sei que ele, esse amor vencedor, não surge como por acaso… O que esses poucos vencedores falam é que esse amor foi suado, trabalhado, conquistado, bem administrado nas centenas de situações do cotidiano.

Não é um presente de loteria, de sorte, nem de magia… É simplesmente o resultado concreto daquilo que foi um relacionamento maduro e crescente entre duas pessoas.

E este amor vencedor, ele não vem de uma vida só, ele vem da aurora das vidas das almas que se buscam. Façam vocês um amor vencedor, de cada um de vocês, sempre, sempre…sempre!!

(Autor desconhecido)

Hoje
10 de novembro.
Agora
19:15
Arquivo
Secreto.
Nome
Desconhecido.
Ação
Não-manifesto.
Frase
Faça acontecer que eu faço valer a pena.
Para
Nada.

Acostume-se. O caminho não está lá.
Lance-se no seu vazio interior hoje…ou melhor, agora. Ache este arquivo secreto de nome desconhecido, e entenda o não-manifesto…que está lá e acontece para tudo que vale a pena: Nada! O caminho que conhece? Desconheça e saberá onde está o fim.
O fim é o começo de tudo. E quando chega no começo, conseguirá dar um fim a tudo: que lhe apavora; extrapola; mata e faz viver.
Esvazie-se.
Torne-se tudo que há!
E manifestar-se-á agora para tudo que quer!
Vida como jamais a conheceu antes.
A vida.
A morte para a vida.
“Mesmo que morra, viverá.”

Como é enorme a carência das pessoas por amor, por carinho, por atenção.
Quando atravesso a rua e uma mulher vem de encontro à minha direção, acabo sentindo a falta de amor daquela pessoa. Ohh! Quanto ela precisa amar, quanto ela precisa enxergar o amor.
Tudo bem! Existe o companheirismo, a proximidade, a intimidade, o querer bem…mas o carinho? O amor? A atenção? Onde ela está?
Você não sente isso em você, nem n’outras pessoas.
Saiba que tudo que você acha e imagina, é tão pouco, limitado e finito perto do quanto você pode receber, quanto você pode ser seduzida, a um ponto de desligar seus pensamentos e querer amar, querer receber, enxergar realmente o amor.
Porque o amor não está no nosso entendimento. Ele vai além dele.
É quando você se desliga de sua mente que você começa realmente a ter uma pista do que é o amor pleno, infinito, eterno e para muita gente “irreal”.
Você enxerga que o carinho que recebe atualmente é como um simples cm² no universo. É muito pouco, muito escasso. Te faz feliz? Um pouco, mas não plenamente.
Por isso, tenho a certeza que devemos exercitar o amor, ao invés de darmos significado a ele.
Soltá-lo das páginas dos livros, esquecê-los da cultura, do conhecimento coletivo e nos aprofundarmos no que precisamos sentir, sem pensar, julgar, significar esse sentimento.
Haverá um breve momento que o amor deixará de ser moeda financeira de troca entre humanos, e começará a ser terno, fiel, leal, naquele bem-aventurado ser que finalmente deixou de entendê-lo.

O que significa o significado?
Ao olhar um papel, dizemos que é um papel. Esse é o significado. Mas o que é um papel? O que realmente é?
Uma árvore? Uma parte da árvore? A árvore? Milhares de trilhares de átomos?
Porque, se a última interrogação for verdadeira, então na verdade o papel não está lá! Porque os átomos estão em constante movimentação, ganhando e perdendo energia, como dito no post “E = m.c²“.
Logo, podemos imaginar que o papel realmente não está lá naquele momento, só a vibração que seus átomos fazem.
Enfim, nessa aparentemente maluca inferência, descobrimos que um papel não é nada. Só um significado.
Porém, o vemos, o tocamos, o sentimos. Sentimos sua vibração, seus átomos, suas energias!!! Sua forma é apenas aquela massa condensada, que no fim, não deixa de ser energia.
Imaginemos que, cada ser na Terra (senão no Universo) faça o seu próprio significado, usando seus sentidos. Imaginemos que um cego dê um significado a uma forma. Não seria totalmente distinta de qualquer outro ser? Porém, se tudo que existe são apenas átomos, porque então diferencia-los pela forma que os vemos? Ou melhor, porque então tudo que existe seria diferente para cada um entre todos, se somos apenas a vida?
Isto nos leva a uma compreensão superior de que nada é tudo! Tudo que existe!
Somos apenas nada! No espaço sideral não tem nada! Na Terra, não há nada! Só há porque inventamos significados!
Porém, eu afirmo a vocês que isto é verdade: há de se descobrir que existe algo demasiado maravilhoso nisso tudo!
Veja como o nada impõe tanto respeito!!! Veja como o Universo impõe respeito! Como o silêncio em relação aos sons impõe respeito!
Você talvez se perguntasse: “Então todos estamos mortos?”. Sim, você, inconsciente disso, está morto.
Mas quando você se torna consciente, você vê que na verdade, morrer é uma ilusão, e que tudo vive! Tudo é vida! O Ser dentro de ti compreende tudo isso, sem precisar ouvir, tatear, cheirar, ver ou provar!
Não existe o mau. Nem mesmo o bom!
Não existe o feio, muito menos o bonito!
Não existe o medo, nem a coragem!
O que existe, são bilhares de pessoas no mundo…mortas! Zumbis capitalistas, pederastas, samaritanos, caridosos, bárbaros, felizes, infelizes…uma penca de significados que vão somando na tua ilusória natureza humana conforme o tempo passa!
Tempo este que também não existe! Você não vive o amanhã, nem o ontem. Você está vagando eternamente como um ponto consciente no universo, em tudo que existe, na vida!
Você simplesmente está! E você simplesmente é!
Assim como eu sou!
Então pra que julgar? Pra quê olhar para o seu semelhante e dizer: “Você é feio”. E pro outro da frente: “Você é lindo.” Se no final, ele…assim como você…se tornará apenas átomos descondensados? (Ou o conhecido pó)
Essa é a natureza. Você é a natureza. Você está em Deus, e Ele em você…você O é! Teus sentidos não são nada perto de toda essa energia divina que está na vida! Se você, que chegou nesta parte do texto agora, ainda acha que deve dar significado às coisas, então a única coisa que você deve dar significado é na palavra “milagre da vida”. Esse mesmo que conhecemos como a natureza, as coisas que não conseguimos compreender, a flor perfeitamente vestida com suas cores, o olhar genuíno, o sorriso sem motivo, o pressentimento bom, a paz interior, aquela energia que te faz movimentar, sentir, “animar”.
Veja como pra você isso não é nada!
Espero que agora você saiba…
…que o nada realmente é tudo!
Morra e comece a viver.